Consulta de risco cardiovascular em pessoas que vivem com o VIH – Um estudo retrospetivo de dois anos de seguimento
DOI:
https://doi.org/10.65332/rpdi.v19.131Palavras-chave:
Vírus da imunodeficiência humana, risco cardiovascular, doença cardiovascularResumo
Introdução: As pessoas que vivem com vírus da imunodeficiência humana (VIH) apresentam uma incidência de doença cardiovascular duas vezes superior à da população em geral. Este risco aumentado parece estar relacionado com o estado de inflamação crónica, com a terapêutica antirretroviral e com a prevalência aumentada de fatores de risco tradicionais.
Métodos: Os autores desenvolveram um estudo observacional retrospetivo de todos os doentes acompanhados na consulta de risco cardiovascular dirigida a pessoas que vivem com VIH do Hospital Garcia de Orta entre outubro de 2021 e junho de 2024. Os dados foram obtidos através da consulta do processo clínico hospitalar e analisados através do software Excel®.
Resultados: Foram incluídos 72 doentes com uma mediana de seguimento de 1,37 anos. A idade mediana foi de 61 anos e 58,3% dos indivíduos eram do sexo masculino; 97,2% apresentavam controlo virológico. A maioria (77,7%) dos doentes apresentava risco cardiovascular elevado ou muito elevado segundo o cálculo do SCORE2. Em relação aos fatores de risco cardiovascular, 62,5% apresentavam sedentarismo, 48,6% tabagismo, 43,1% obesidade, 76,4% obesidade abdominal, 80,6% dislipidemia, 94,4% hipertensão arterial e 37,5% diabetes mellitus. Durante o seguimento, assistiu-se a uma evolução positiva dos níveis de atividade física, dos cuidados com a dieta e tabagismo, assim como do controlo da hipertensão arterial e dislipidemia, mas não da obesidade ou da diabetes mellitus.
Conclusões: A elevada prevalência de fatores de risco cardiovascular e a evolução em geral favorável apresentada durante o seguimento reforçam a necessidade de uma intervenção especializada que permita prevenir e identificar precocemente a doença cardiovascular nesta população.
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